O ateliê, ARTE NA ROÇA, vem aí com novidades e repaginado. Breve. AGUARDEM
sexta-feira, 26 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
EXPOSIÇÃO
DE QUADROS DE CARLOS FINÓCCHIO NO PHOTOZOFIA EM São Francisco
Xavier.
Desde
2009 Carlos Eduardo Finochio, ou simplesmente C. Finócchio (como assina seus
quadros) mantém suas atividades voltadas para a pintura em seu ateliê, Arte na
Roça, em São Francisco Xavier. O artista, radicado em Santos, que iniciou sua
arte em 1975, preparou a exposição com obras em acrílico sobre tela e
pretende
mostrar a trajetória de um trabalho, visitando o universo urbano e o bucólico a
partir de registros coloridos: do mono ao policromático. Não ficam de fora,
nesta coleção, imagens do cotidiano, do mundo rural e da metrópole. Uma certa
tradução, pictórica, entre o público e o privado com inspiração na linguagem
cubista e nas cores "fauvistas", onde o gestual marca o forte grafismo através
das pinceladas livres e da estética figurativa (muitas vezes quase abstrata).
Uma nova fase, com obras inéditas, é o que promete essa exposição. A influência
dos ares da serra e a massa cromática que se percebe neste universo, se mostram
com bastante força nas telas pintadas nos últimos tempos. O registro de
elementos da arquitetura, da flora carregada de verde e a vibração de tons
quentes em diálogo com os violáceos e azuis, são resultados da estética
registrada, pelo artista, a partir de 3 focos: construções de Santos, o trajeto
interceptado pela metrópole paulistana e a própria região de SFX. Um percurso
constante no cotidiano do autor. A Exposição recebe o nome COTIDIANO: RECORTES,
CORES E TRAMAS, buscando essa tradução pictórica do universo do artista, com
suas paixões, aflições e caminhos e descaminhos. Confira.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Artigo publicado Jornal Serras da Mantiqueira - dezembro, 2011.
Odeio da Vinci!
A questão da apreciação da arte.
Por Carlos Eduardo Finochio
Professor de História e História da Arte da Universidade Católica de Santos e
Universidade Metropolitana de Santos.
Artista plástico – Ateliê Arte na Roça – SFX.
A apreciação das manifestações artísticas e das obras deve ser um assunto para todos, e não uma iniciativa de um grupo exclusivo de especialistas. Ao analisarmos uma situação no cotidiano é possível perceber que a rua, o bar, a fila do banco, ou de ônibus está repleta de gente arriscando suas opiniões sobre o futebol, a política, a culinária, a novela e alguns eventos de cunho artístico. Uma postura, até certo ponto, arrojada. Por outro lado o homem busca um especialista em determinados campos, como na medicina, no direito e outras áreas colocando-se submisso à opinião de um profissional da área. Na esfera das artes a sociedade se permite a reconhecer e manter seus especialistas, com os quais, os investimentos de dinheiro público e privado são consideráveis. Muitas vezes o homem comum, por sua vez, não considera os especialistas como os críticos, donos de galerias, antiquários, curadores, museólogos, colecionadores e professores, profissionais habilitados para impor o juízo estético ao leigo. Nessa conjuntura quando se vêem diante de uma obra de arte expressam, confiantes: “não sou especialista, mas acho que..”. ou ainda, “não entendo nada de arte, mas...”. Nossa atitude diante de uma beleza natural já é diferente (nesse campo não se pressupõe especialização e, tampouco, existem peritos).
A questão passa pelo debate da subjetividade do conceito de belo e do bom e do mau gosto. As pessoas acreditam em referenciais, oficiais, de padrões de bom gosto e não há peritos em gosto. Até acredito que gosto se discute, sim, porém em outra esfera de abordagem.
Com a evolução da tecnologia na reprodução de imagens, impressões de livros de arte, as mídias digitais e outros veículos que permitem a divulgação iconográfica, a imagens atingiram várias camadas da sociedade, o que tornaria a ação dos especialistas mais oportunas. Ao se colocar diante de uma obra de arte, o homem ainda se mostra inseguro, comprovando que a expansão da exposição e veiculação desses ícones não atenuou a confusa reflexão dos leitores que consumiram tais publicações (muitas vezes, ainda, de alto custo). Fica evidente que o consumo destas apreciações pelos mais eficientes condutores de conhecimento impresso, ou virtual, por si só, não bastam para o refinamento da apreciação da obra de arte, pois isso não é um ramo do conhecimento teórico (simplesmente), tampouco uma satisfação do emocional, mas uma competência adquirida através do desenvolvimento de habilidades de “leitura” e reflexão. Uma aptidão que pode ser cultivada e, conseqüentemente, refinada. Se não for exercida, tal habilidade, pode se atrofiar e bloquear o prazer de apreciar uma obra de arte. O impulso de desenvolver essas competências e habilidades – tanto comentadas nos processos de ensino aprendizagem, através dos Parâmetros Curriculares Nacionais - varia muito em cada pessoa. A criteriosa construção desses mecanismos poderá levar o apreciador a encarar a arte como criação de uma forma expressiva, um algo novo no universo, por ser fruto da criação, resultado de uma produção humana, arrancando o ser do não ser. Ela, a arte, é expressiva por trazer um fim em si e comunica alguma coisa, contendo uma mensagem, o que a torna uma linguagem. A partir daí, podemos, tranqüilamente, nos preparar para a apreciação, crítica, reflexiva e dialogada de uma obra de arte. A obra é contextualizada e sua leitura passa, necessariamente, pelo entendimento do contexto histórico. Não precisamos nos obrigar a definir, efetivamente, o que é arte ou obra de arte, mas é necessário perceber que esse debate passa pela questão do HOMEM, vivendo em SOCIEDADE, produzindo cultura e em busca do BELO. Por outro lado, hoje, a obra de arte não mais está presa à questão do bom, ou mau gosto. Desde o Dadaismo (movimento do início do século XX), com Marcel Duchamp, o que importa é a “significação”. Para melhor dialogar com essas novas leituras sobre o desdobramento da arte, podemos acompanhar as publicações e livros do crítico Arthur Danto, Arnold Hauser, Anne Cauquelin, entre outros. Será nesse universo que os conceitos, sejam do tradicional classicismo europeu, dos manifestos de movimentos culturais da modernidade, dos ensaios de teóricos da arte, dos pontuais discursos e reflexões - do passado, ou da atualidade - sobre o belo, a estética e a arte (como Platão, Kant, Gombrich ...), nos levarão à compreensão da dinamicidade da mentalidade e da interpretação dos processos desenvolvidos ao longo dos tempos. De qualquer maneira é um tópico que, também, pode (e deve) ser trabalhado na prática, no exercício de visitas aos espaços de artes, na observação das obras e debates com profissionais e, mais importante, com a bagagem cultural e emocional de cada um, nas suas invariáveis concepções e transformações de vida na trajetória histórica pessoal e social em conexão com os instrumentos e critérios apropriados para esse universo. As especificidades dos debates produtivos se darão na medida em que as políticas de aproximação do espectador, com as obras, espaços e artistas, se constituírem como proposta de enriquecimento de construção de conhecimento, de formação do intelecto, das percepções íntimas e da própria alma em parceria, afinada, com o processo cultural de cada grupo social, trabalhado com responsabilidade e paixão.
Odiar, ou amar, Leonardo da Vinci não pode ser, apenas, uma questão de juízo estético pelos suspeitos critérios, imprecisos e subjetivos do gosto, ou do belo. A reflexão deverá ir além. Precisamos contextualizar o artista, o momento da sua produção e o próprio percurso na aquisição da bagagem cultural, que envolveu e envolve o espectador. Esse exercício de observação, leitura e reflexão é que vai me permitir o direito, ou não, de “gostar” da obra de Leonardo da Vinci. Sendo assim, é preciso lembrar que o impacto visual de uma obra, produzido sobre o apreciador (de indiscutível importância e significado), merece um desdobramento, no caso de buscar um critério mais apurado para o exercício da apreciação da obra de arte, permitindo uma “crítica” muito mais refinada e, efetivamente, um prazer muito maior no consumo das artes.
Enfim, desta maneira, mais seguro, posso afirmar, com mais tranqüilidade e desembaraço que “eu não odeio Leonardo da Vinci”.
Um Feliz 2012, com muita arte, para todos!
Carlos Eduardo Finochio.
Ilustração: Mona Lisa – ready made de Marcel Duchamp, 1919
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Uma crônica publicada em setembro - Jornal Serras da Mantiqueira
Uma crônica inspirada, quase cantada, quase plagiada...
No início, sua vida parecia um palco iluminado. Muitas vezes se vestia de dourado e saia tropeçando nos astros, desastrada. Não tinha livros em casa, mas era uma estrela entre as estrelas. Caminhava e cantava, ouvindo a canção e não esperava acontecer. Era a ronda na cidade. Todo dia ela fazia tudo sempre igual e meia noite sempre jurava eterno amor a alguém. Amou, desamou, reamou, desatou e reatou. Por mais dolorido que o processo de amores pudesse parecer, sua vida era cheia de alegria. Caminhava contra ao vento sob um sol de dezembro, sem lenço e sem documento. Tantas vezes passeava, toda molhada e despenteada, na chuva, entre bancários, automóveis, ruas e avenidas. Algumas vezes de branco, outras vezes muito tímida. A chuva molhava o seu corpo que alguém iria abraçar. Não se furtava a entrar pela porta, com lentas luzes de neon, sentar à mesa do bar com flores murchas de crepom, ouvindo conversas entre fumaças de cigarros filtradas pela luz grená. Em sua mão fria, um cuba-libre tremia diante do triste “striptease” da agonia de cada um que deixava o cabaré. Agora, lá fora, a luz do dia já feria os olhos. Na noite ganhava presentes, promessas de sol, distribuía prendas e rendas, beijos, calores e louvores. Era dessas mulheres, que só dizem sim. Seu nome era Maria Rosa, seu sobrenome: Paixão. Quando moça, era um anjo de tanta beleza. Depois, calçando tamancos, com os cabelos brancos já estava em farrapos, pedindo nas portas um pedaço de pão. Vestia uma capa feita de retalhos (pedaços de suas fantasias). Para ela, cada um representava uma saudade. Eram retalhos coloridos - os vermelhos como as cerejas de seus drinques, os azuis eram referencias aos olhos de seus preferidos, os verdes iguais à pedra do anel que ganhou de um sargento do local. As cores escuras, dos retalhos de suas vestes, como o marinho, preto, chumbo e sépia eram homenagem à cor do chão molhado, que algumas vezes serviu de abrigo ao final de tantas madrugadas frias, regadas a uísque com guaraná, frisantes turvos e baratos. Já retalhos amarelos vibrantes, da cor da gema, do ouro reverenciavam o sol. O sol em suas infinitas manifestações de luzes. Fonte de energia, de luz e repouso. Sim, repouso, pois quando ele despontava, Maria era uma das poucas, assíduas espectadoras do maior espetáculo, diário, da terra depois das noites em claro, ou sob luz de velas. Ainda tinham os retalhos cor de rosa, azul celeste, branco, verde água, lilás... Esses, bem, a esses a própria Maria Rosa, não conseguia guardar lembranças significantes. A memória já andava meio nebulosa, sombria, fria. Fria como as águas da chuva, as águas de março. Elas pareciam, de verdade, fechar o verão, mas a promessa de vida no seu coração estava longe de sair dos versos da música e integrar a perspectiva de um futuro de prata brilhando com a luz da manhã. A luta, com paus e pedras, levava ao fim do caminho, dolorido feito um corte no pé com o caco de vidro sobre o estilhaço na estrada. Maria, sempre com um espinho na mão, no rosto o desgosto, um pouco sozinha, não iria ver o tijolo chegando, o projeto da casa, ou a festa da cumeeira. Aquele dia parecia ser o fim da picada. Com o corpo na cama e uma febre terçã tudo era noite, vinda com a chuva, chovendo pedras de atiradeira. Maria, como se tivesse entornado uma garrafa de cana, via uma ave no céu, uma ave no chão, o passarinho na mão em uma marcha estradeira prestes a levar um tombo na ribanceira. Aquele dia foi assim. O fim da canseira, o fim da ladeira, sem uma fonte ou um simples pedaço de pão. Era o fundo do poço, o fim do caminho, um mistério profundo sem queira, ou não queira. Para ela bastou um dia, não mais que um dia. Um meio dia e ela fez desatar a sua fantasia. Vocês, Marias de agora, amem somente uma vez, para que mais tarde essa capa não sirva em vocês.
Por Carlos Eduardo Finochio – Professor, historiador e artista plástico. Inspirada nas obras de Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim, Caetano Veloso, João Bosco e Chico Buarque.
No início, sua vida parecia um palco iluminado. Muitas vezes se vestia de dourado e saia tropeçando nos astros, desastrada. Não tinha livros em casa, mas era uma estrela entre as estrelas. Caminhava e cantava, ouvindo a canção e não esperava acontecer. Era a ronda na cidade. Todo dia ela fazia tudo sempre igual e meia noite sempre jurava eterno amor a alguém. Amou, desamou, reamou, desatou e reatou. Por mais dolorido que o processo de amores pudesse parecer, sua vida era cheia de alegria. Caminhava contra ao vento sob um sol de dezembro, sem lenço e sem documento. Tantas vezes passeava, toda molhada e despenteada, na chuva, entre bancários, automóveis, ruas e avenidas. Algumas vezes de branco, outras vezes muito tímida. A chuva molhava o seu corpo que alguém iria abraçar. Não se furtava a entrar pela porta, com lentas luzes de neon, sentar à mesa do bar com flores murchas de crepom, ouvindo conversas entre fumaças de cigarros filtradas pela luz grená. Em sua mão fria, um cuba-libre tremia diante do triste “striptease” da agonia de cada um que deixava o cabaré. Agora, lá fora, a luz do dia já feria os olhos. Na noite ganhava presentes, promessas de sol, distribuía prendas e rendas, beijos, calores e louvores. Era dessas mulheres, que só dizem sim. Seu nome era Maria Rosa, seu sobrenome: Paixão. Quando moça, era um anjo de tanta beleza. Depois, calçando tamancos, com os cabelos brancos já estava em farrapos, pedindo nas portas um pedaço de pão. Vestia uma capa feita de retalhos (pedaços de suas fantasias). Para ela, cada um representava uma saudade. Eram retalhos coloridos - os vermelhos como as cerejas de seus drinques, os azuis eram referencias aos olhos de seus preferidos, os verdes iguais à pedra do anel que ganhou de um sargento do local. As cores escuras, dos retalhos de suas vestes, como o marinho, preto, chumbo e sépia eram homenagem à cor do chão molhado, que algumas vezes serviu de abrigo ao final de tantas madrugadas frias, regadas a uísque com guaraná, frisantes turvos e baratos. Já retalhos amarelos vibrantes, da cor da gema, do ouro reverenciavam o sol. O sol em suas infinitas manifestações de luzes. Fonte de energia, de luz e repouso. Sim, repouso, pois quando ele despontava, Maria era uma das poucas, assíduas espectadoras do maior espetáculo, diário, da terra depois das noites em claro, ou sob luz de velas. Ainda tinham os retalhos cor de rosa, azul celeste, branco, verde água, lilás... Esses, bem, a esses a própria Maria Rosa, não conseguia guardar lembranças significantes. A memória já andava meio nebulosa, sombria, fria. Fria como as águas da chuva, as águas de março. Elas pareciam, de verdade, fechar o verão, mas a promessa de vida no seu coração estava longe de sair dos versos da música e integrar a perspectiva de um futuro de prata brilhando com a luz da manhã. A luta, com paus e pedras, levava ao fim do caminho, dolorido feito um corte no pé com o caco de vidro sobre o estilhaço na estrada. Maria, sempre com um espinho na mão, no rosto o desgosto, um pouco sozinha, não iria ver o tijolo chegando, o projeto da casa, ou a festa da cumeeira. Aquele dia parecia ser o fim da picada. Com o corpo na cama e uma febre terçã tudo era noite, vinda com a chuva, chovendo pedras de atiradeira. Maria, como se tivesse entornado uma garrafa de cana, via uma ave no céu, uma ave no chão, o passarinho na mão em uma marcha estradeira prestes a levar um tombo na ribanceira. Aquele dia foi assim. O fim da canseira, o fim da ladeira, sem uma fonte ou um simples pedaço de pão. Era o fundo do poço, o fim do caminho, um mistério profundo sem queira, ou não queira. Para ela bastou um dia, não mais que um dia. Um meio dia e ela fez desatar a sua fantasia. Vocês, Marias de agora, amem somente uma vez, para que mais tarde essa capa não sirva em vocês.
Por Carlos Eduardo Finochio – Professor, historiador e artista plástico. Inspirada nas obras de Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim, Caetano Veloso, João Bosco e Chico Buarque.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Artigo jornal "SERRAS DA MANTIQUEIRA" - julho 2011.
Um novo olhar na cidade e na roça: tradições e rupturas.
Só podem falar em permanências, tradições e cultura, aqueles que entendem as questões históricas das transformações, suas conexões com a contemporaneidade e os seus desdobramentos no contexto cultural. Desta forma, um tanto acadêmica mas coerente, existe um elemento que jamais poderá ser descartado: o conhecido “feeling”, ou seja, a percepção de que o mundo pode ser lido, melhor, quando a sensibilidade permeia o processo da análise.
É neste campo que percebemos a intrigante cadeia de permanências nos costumes, no gosto, na estética e na banalidade do cotidiano de um lugar. Assim, perceber o encanto das tradições, sem se opor aos rigores das rupturas, muitas vezes carregadas de tiranias, porém algumas vezes bem-vindas em suas propostas equilibradas, nos permite novas leituras em novos focos, possibilitando ações corretas e transformadoras. O uso do coreto da praça, a preservação das festas de cunho “sacro-folclórico”, a organização de novos eventos, o resgate das romarias, a propagação da literatura, da música, do teatro, das cores e das formas, das tintas e das novas superfícies, da nova culinária e das velhas iguarias, o caminho dos tropeiros e as trilhas naturais, só poderão contribuir, com harmonia, para o desejado desenvolvimento sustentável, seja ele no caráter da preservação, seja no campo da inovação. Só se preserva um bem, da cultura material e imaterial, quando se revitaliza os espaços, ou mesmo as tradições. Esse é o caminho para a efetivação e manutenção do patrimônio cultural.
A roça, tantas vezes esquecida pelo complexo de ações urbanísticas, é um cenário (quase em extinção, principalmente nas sociedades, ditas, mais “desenvolvidas”) ímpar para esse criativo processo de investigação e de inovadoras propostas.
É no frescor, verdejante, dos altos das serras, dos campos em vales musicados aos sons das águas em quedas, que se pode constituir o palco, a atmosfera, para pensadores, poetas, artistas e caipiras se lançarem em projetos e movimentos culturais mais arrojados. Um privilégio merecedor de um programa de preservação.
A Mantiqueira é isso. Pode ser isso. Pode ser mais do que isso. São Francisco Xavier é mais um exemplo de potencialidade desta conjuntura. Nossa obrigação, enquanto gestores de cultura, instituições organizadas, formadores de opiniões, educadores, artistas, escritores, ou mesmo meros espectadores e apreciadores do bom e do belo, é trabalhar a cultura sem ferir a espontaneidade do entorno, focando manifestações catalisadoras de teor construtivo e mágico em parceria com a responsabilidade de adequar o universo urbano – no que ele pode contribuir nas trocas com a roça – na práxis oportuna, rumo ao desenvolvimento de mentes e saberes envolvidos na construção do conhecimento e na produção cultural. Desta forma convocaremos, com sabedoria, peões, políticos, moradores, turistas, comerciantes, boêmios, violeiros, Apas, trabalhadores, crianças, religiosos, investidores, ecologistas, estudantes, artesãos, jornalistas, homens e mulheres ao banquete “antropofágico” de saborosas iguarias artísticas para buscar nosso espaço na autenticidade dos valores locais e nas suas adequações, inovando com um panorama aberto para o “novo”. Um manifesto. Uma cruzada intelectual a serviço da comunidade como um todo através das especificidades dos seus principais agentes: circos, teatros, bares, galerias, festas, festivais, cafés, jornais, sítios, ranchos, palcos, praças, coretos, ateliês... da roça e da cidade.
CARLOS EDUARDO FINOCHIO
Professor Universitário de História da Arte, História do Brasil e Patrimônio Cultural;
Mestre em História Social pela PUC-SP;
Arquiteto; Artista Plástico
Só podem falar em permanências, tradições e cultura, aqueles que entendem as questões históricas das transformações, suas conexões com a contemporaneidade e os seus desdobramentos no contexto cultural. Desta forma, um tanto acadêmica mas coerente, existe um elemento que jamais poderá ser descartado: o conhecido “feeling”, ou seja, a percepção de que o mundo pode ser lido, melhor, quando a sensibilidade permeia o processo da análise.
É neste campo que percebemos a intrigante cadeia de permanências nos costumes, no gosto, na estética e na banalidade do cotidiano de um lugar. Assim, perceber o encanto das tradições, sem se opor aos rigores das rupturas, muitas vezes carregadas de tiranias, porém algumas vezes bem-vindas em suas propostas equilibradas, nos permite novas leituras em novos focos, possibilitando ações corretas e transformadoras. O uso do coreto da praça, a preservação das festas de cunho “sacro-folclórico”, a organização de novos eventos, o resgate das romarias, a propagação da literatura, da música, do teatro, das cores e das formas, das tintas e das novas superfícies, da nova culinária e das velhas iguarias, o caminho dos tropeiros e as trilhas naturais, só poderão contribuir, com harmonia, para o desejado desenvolvimento sustentável, seja ele no caráter da preservação, seja no campo da inovação. Só se preserva um bem, da cultura material e imaterial, quando se revitaliza os espaços, ou mesmo as tradições. Esse é o caminho para a efetivação e manutenção do patrimônio cultural.
A roça, tantas vezes esquecida pelo complexo de ações urbanísticas, é um cenário (quase em extinção, principalmente nas sociedades, ditas, mais “desenvolvidas”) ímpar para esse criativo processo de investigação e de inovadoras propostas.
É no frescor, verdejante, dos altos das serras, dos campos em vales musicados aos sons das águas em quedas, que se pode constituir o palco, a atmosfera, para pensadores, poetas, artistas e caipiras se lançarem em projetos e movimentos culturais mais arrojados. Um privilégio merecedor de um programa de preservação.
A Mantiqueira é isso. Pode ser isso. Pode ser mais do que isso. São Francisco Xavier é mais um exemplo de potencialidade desta conjuntura. Nossa obrigação, enquanto gestores de cultura, instituições organizadas, formadores de opiniões, educadores, artistas, escritores, ou mesmo meros espectadores e apreciadores do bom e do belo, é trabalhar a cultura sem ferir a espontaneidade do entorno, focando manifestações catalisadoras de teor construtivo e mágico em parceria com a responsabilidade de adequar o universo urbano – no que ele pode contribuir nas trocas com a roça – na práxis oportuna, rumo ao desenvolvimento de mentes e saberes envolvidos na construção do conhecimento e na produção cultural. Desta forma convocaremos, com sabedoria, peões, políticos, moradores, turistas, comerciantes, boêmios, violeiros, Apas, trabalhadores, crianças, religiosos, investidores, ecologistas, estudantes, artesãos, jornalistas, homens e mulheres ao banquete “antropofágico” de saborosas iguarias artísticas para buscar nosso espaço na autenticidade dos valores locais e nas suas adequações, inovando com um panorama aberto para o “novo”. Um manifesto. Uma cruzada intelectual a serviço da comunidade como um todo através das especificidades dos seus principais agentes: circos, teatros, bares, galerias, festas, festivais, cafés, jornais, sítios, ranchos, palcos, praças, coretos, ateliês... da roça e da cidade.
CARLOS EDUARDO FINOCHIO
Professor Universitário de História da Arte, História do Brasil e Patrimônio Cultural;
Mestre em História Social pela PUC-SP;
Arquiteto; Artista Plástico
segunda-feira, 20 de junho de 2011
São Francisco Xavier e ateliê. Divulgação na mídia - Jornal A Tribuna - Santos.
Nota na Coluna de Luiz Gonzaga Alca de San'Anna no jornal A Tribuna de Santos, em 16 de junho.
Coluna de Márcio Barbuy, Jornal A Tribuna - Santos, em 20 de junho.
terça-feira, 14 de junho de 2011
CATÁLOGO DE OBRAS
Carmem 1 - a.s.t. 100 x 80 (acervo do artista)
Bar. a.s.t. 60x80 (acervo do Pangea Bar - SFX)
SÉRIE MULHERES
Tereza. a.s.t. 100x80

Carmem 2 - a.s.t. 50x70
Bordadeira - aquarela e pastel - 50x70
Mulher com fruta - a.s.t. 30x30
Mulher bordando - a.s.t. - 30x30
Mulher com gato - a.s.t. - 30x30
Mulher no bar - a.s.t. - 30x30
Mulher - aquarela e pastel - 50x70 (vendido)
Gabriela - a.s.t. - 50x70
Mulher com Casario - a.s.t. - 60x60 (vendido)
Mal me quer - a.s.t. - 60x80
Bordadeira - a.s.t. - 40x50 (vendido)
Café - a.s.t. 60x80 (vendido)

Baianinhas - a.s.t. - 40 x 60 (vendido)
Mulher com gato - a.s.t. - 30 x 40
Lavadeiras - a.s.t. 30 x 40 - (vendido)
Baianinhas - a.s.t. - 40 x 60 (vendido)
Baianas - a.s.t. - 70 x 70 (vendido)
Mulher com gato - a.s.t. - 30 x 40
Lavadeiras - a.s.t. 30 x 40 - (vendido)
SÉRIE METRÓPOLIS
Noturno 1 - a.s.t. - 100x30
Noturno 2 - a.s.t. - 30x100 (vendido)
Noturno 3 -a.s.t. - 30x100 (vendido)
Noturno 4 - a.s.t.- 20x100 (vendido)
Muro - a.s.t. - 50x50 (vendido)
Sampa 3 - a.s.t. - 50x70 (acervo de Lauro Kfouri Marino)
Sampa 2 - a.s.t. 50x70
Sampa - a.s.t. - 60x80 (acervo de Claudio Patricio Atanes)
Noturno 5 -a.s.t. - 30x100 (vendido)
Noturno SP - a.s.t - 30 x 40 (vendido)
Cadilac - a.s.t. - 100x80
Contrastes - a.s.t. 50x50 (vendido)
Percurso - a.s.t. - 120 x 80
Carta a.s.t. - 30 x 40
composição com bicicleta - a.s.t.- 80 x 90
Cidade Vermelha - a.s.t. 100x80
Garrafas - a.s.t. - 40 x 50 (vendido)
SÉRIE CASARIOS
Casario 50 x 60 - a.s.t. (vendido)
Fachada - 20 x 10 - a.s.t.
São João - a.s.t. - 40 x 50 (vendido)
Igreja - a.s.t. 70x70
Casario no morro - 40 x 50 - a.s.t. (vendido)

Casario 40x50 - a.s.t.
Casario 50 x 60 - a.s.t. (vendido)
Fachada - 20 x 10 - a.s.t.
São João - a.s.t. - 40 x 50 (vendido)
Igreja - a.s.t. 70x70
Casario no morro - 40 x 50 - a.s.t. (vendido)
Feira - a.s.t. - 50x70
Casario em Retalhos - a.s.t. - 20x30 (vendido)
=
Casario da Roça - a.s.t. - 30x100 (vendido)
Casario com varal - a.s.t. - 30x100
Casario com igreja - a.s.t. - 50x70 (vendido)
Casario com lua - 1.20 x 70 - a.s.t.
Casario com pipa - a.s.t. - 10x30 (vendido)
Casario - 70x70 - a.s.t. (vendido)
Casario Mineiro - a.s.t.- 50x50 (vendido)
Casa com Barraca de Feira - a.s.t. - 50x70 (vendido)
Viva Monet - a.s.t. - 30x40 (vendido)
Café Paris - aquarela - 25 x 18
Bia - a.s.t. - 50x70 (vendido)
Barco Paraty - a.s.t. - 60x80
Marinha 1 - a.s.t. - 50x70 (acervo de Lourdes Becco)
Lara -a.s.t. - 50x70 (vendido)
Valéria - a.s.t. - 60 x 80 (vendido)
Paraty 2 - a.s.t - 30x40
Orla de Santos 1 - a.s.t. - 60x80 (vendido)
Orla de Santos 3 - a.s.t. - 60x80 (vendido)
SÉRIE NATUREZA MORTA
Vaso com flores e garrafas - a.s.t. - 60x60
Natureza Morta 1 - a.s.t. - 100x80
SÉRIE CORPOS E OFÍCIOS
Adão - a.s.t. - 50x50 (vendido)
Repouso - a.s.t. - 120 x 60 (acervo particular)
Vendedor de frutas - a.s.t - 50x70 (vendido)
Lavrador - a.s.t. - 50x50 (vendido)
Pescador - a.s.t. - 50x50 (vendido)
Sambista - a.s.t. - 30x40
Músico - a.s.t. - 40x50 (vendido)
Sax 1 - a.s.t. 40x50 (vendido)
Sax 2 - a.s.t. - 40x50 (vendido)
Ateliê São Francisco Xavier 2011
mesa de trabalho
área de trabalho
parte externa do ateliê
peça do antiquario
peças do antiquario
vista
peças - soladadinhos de chumbo - Áustria 1940
mesa de trabalho
área de trabalho
parte externa do ateliê
peça do antiquario
peças do antiquario
vista
peças - soladadinhos de chumbo - Áustria 1940
Exposição Pavilhão - São Francisco Xavier - Festival da Mantiqueira 2011
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